Seven poems by the Brazilian poet José Inácio Vieira de Melo

Shelly Bhoil

Translated from the Brazilian-Portuguese by Shelly Bhoil

 

 A RECORD OF THE SPEECH OF SILENCE

 

What has spoken the most to me is silence,

but a silence that’s plural– of fire-

which with its scarlet tongue blazes the words

and burns them before they become.

 

A silence from somewhere far away—from the inner shores—

that speaks all the time without giving a name to what is said.

 

There is an image in the dream: and intoxicated, I see

its face—a formidable countenance:

as beautiful as a god can be.

 

The silence, the one that speaks and the one I speak about so much

is a hieroglyphic poem,

and these verses: translation and codification.

 

 

REGISTRO DA FALA DO SILÊNCIO

 

O que mais tem falado em mim é o silêncio,

mas um silêncio plural -de fogo –

que com sua lingua escarlate abrasa as palavras

e as queima antes de serem.

 

Um silêncio de lá, de longe – das plagas interiores –

que fala o tempo todo sem dar nome ao dito.

 

Em sonho é imagem: e vejo, inebriado,

a sua cara—semblante formidável:

tão formoso quanto pode ser um deus.

 

O silêncio, este que fala e de que tanto falo

é um hieroglífico poema,

e estes versos: tradução e codificação.

  


BLESSING

For Aloísio Vieira de Melo


My father

kisses his hands,

not how a man

pretends to kiss those of God,

but how a tree

kisses its roots.

 

 

BÊNÇÃO

Para Aloísio Vieira de Melo


Meu pai

beija suas mãos,

não como um homem

pretende beijar as de Deus,

mas como uma árvore

beija suas raízes.

 

 

WILD DOODLES


There's a tiger inside the clock,

running through the dreams

crossing the savannah of time.

When its roar surfaces

and its claws scratch the desert stones,

the letters that make up my verses

get etched in my core.

 

 

GARATUJAS SELVAGENS

 

Há um tigre dentro do relógio,

correndo por entre os sonhos

a atravessando a savana do tempo.

Quando vem à tona seu rugido

e suas garras arranham as pedras do deserto,

ficam insculpidas no meu âmago

as letras que compõem os meus versos.

 


OUTDOORS


The backwoods

are within the distance.

 

It's only for those who know how to be close

when far away.

 

The backwoods

are for those who know how to be far away.

 

 

LONJURAS

O Sertão

é dentro dos longes.

 

É só pra quem sabe estar perto

quando longe.

 

O Sertão

é pra quem sabe ser longe.

 


CRAFT

Minting seismic shocks,

that's my job.

 

I dive into the dream

and fathom deeper

in search of the uncreated.

 

And how strange is

the luminous ore

which appears so briskly!

 

So as not to blind me

with the self-obsessed jewel,

 

which crosses diamonds

in a wave of mirrored

amalgams,

 

I rub it on my body,

the cautery that touches the soul

scattering embers.

 

There is sprouting of living verses,

sweaty smiles,

welled up tears.

 

 

OFÍCIO

 

Cunhar abalos sísmicos,

eis o meu ofício.

 

Mergulho no sonho

e vou ao mais profundo

em busca do incriado.

 

E como é estranho

o luminoso minério

que surge assim precipitado!

 

Para não me cegar

com a ensimesmada joia,

 

que atravessa diamantes

numa onda de amálgamas

espelhados,

 

esfrego-a no corpo,

cautério que toca na alma

espalhando brasas.

 

É brotam versos vivos,

sorrisos suados,

lágrimas talhadas.

 

 

THE SONG OF BOOKS

To read a book
is to spell the calligraphy of dreams
and decipher the score of origin.
 
The books sing to us the way home.

 


A CANÇÃO DOS LIVROS 

Ler um livro

é soletrar a caligrafia do sonho

e decifrar a partitura da origem.

 

Os livros cantam o caminho de casa.


 

 

BURNING BUSH


The fires of the body

reveal its thirst of losing itself

to discover itself.

 

We are temples

that receive all the winds

and go out with them, carrying

around uncertainties.

 

A desire takes shape

and clothes the spirit

with a breastplate of light.

 

Yes, I need to end

the brutality

inside the caves.

 

Now is the time to

forge a new being.

 

 

SARÇA ARDENTE

 

Os incêndios do corpo

revelam a sede de se perder

para assim se descobrir.

 

Somos templos

que recebem todos os ventos

e saem com eles, por aí, carregando incertezas.

 

Uma vontade ganha

forma e veste o espírito

com uma couraça de luz.

 

Sim, é preciso acabar

com a brutalidade

dentro das cavernas.

 

Agora é tempo

de forjar um novo ser.

 

José Inácio Vieira de Melo (b. 1968) is one of Brazil’s leading contemporary poets from Alagoas. He is author of nine books of poetry besides publishing his poems in various journals and anthologies. His poems have been translated into German, Arabic, Spanish, Finnish, French, English and Italian. Some of his awards include O Capital 2005 for A terceira Romaria, QUEM 2015 for Sete e Hilda Hilst Poetry Award, UBE/RJ 2022, for Garatujas Selvagens. He is also a journalist and cultural producer and lives in Bahia.

Shelly Bhoil is an Indian poet, editor and translator, and lives in Brazil.


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